Hotel credenciado pela FIFA e localizado próximo ao Estádio Nacional Mané Garrincha serviu de palco para supostos incêndio, tentativa de saque, acidente de carro e ameaça de bomba
Imagine uma operação que envolva desde retirada de publicidade ilegal até ameaça de bomba, incêndio, acidente de trânsito, resgate de vítimas usando helicóptero e rapel. Tudo isso em um local que hospeda autoridades internacionais. Esse foi o cenário montado no Mercure Hotel de Brasília, nas imediações do Estádio Nacional Mané Garrincha, onde ocorreu nesta quarta-feira (27.03) uma simulação para testar as equipes de saúde e segurança que atuarão na Copa das Confederações e na Copa do Mundo na capital do país.
Fotos: Glauber Queiroz/ Portal da Copa
O evento foi planejado pelo Grupo de Trabalho para os Eventos Mundiais (GTMundi), da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, e contou com a participação de mais de 400 pessoas. O objetivo principal foi testar e integrar protocolos de ação dos diversos órgãos de saúde e segurança e descobrir vulnerabilidades dos planos de ação. “O simulado atendeu às expectativas, porque descobrimos as vulnerabilidades. Se em um exercício simulado der tudo certo é porque ele não foi bem feito. Nós detectamos falhas e vamos buscar as melhores formas de resolvê-las”, disse José Paulo Barbosa, coordenador-geral da simulação e coronel do Corpo de Bombeiros.
Ele explicou que o trabalho de planejamento e preparação dos protocolos já dura cerca de dois anos e que, apenas para o evento desta quarta, houve um mês e meio de preparação. “Estamos na fase de validação dos protocolos. Até a Copa do Mundo serão mais cinco exercícios, pois esta é a forma de validá-los. Ao todo são 97 protocolos, mas claro que não dá para checar todos. Etão, vamos escolher os seis mais prováveis”, afirmou Barbosa, que acrescentou que o próximo simulado será em maio, no Estádio Nacional Mané Garrincha. Outros deverão ocorrer nos pontos cruciais para os megaeventos, como o aeroporto, os Centros de Treinamento, as rotas de autoridades e os acesso aos hospitais.
As equipes que atuarão na Copa das Confederações e na Copa do Mundo são treinadas especificamente para os grandes eventos e terão estrutura preventiva montada nos principais pontos relacionados aos jogos, como locais de passagem e hospedagem de autoridades e turistas. "Os profissionais, assim como ocorreu na simulação, integram grupos extraordinários e a utilização deles não afeta o atendimento normal da população", destaca Barbosa.
O principal desafio encontrado pelas equipes foi o trânsito de Brasília, principalmente na hora de remover os pacientes para o Hospital de Base, na região central da cidade. No trajeto do Setor Hoteleiro Norte, onde está o Mercure, até o hospital, foi simulado um acidente. As equipes necessitaram buscar uma rota alternativa, que será incorporada ao protocolo.
Estiveram envolvidos na ação 33 profissionais do Corpo de Bombeiros, 140 da Polícia Militar, 60 da Polícia Civil, 60 do Detran, 60 do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e seis da Agência de Fiscalização (Agefis). Também participaram do simulado dez policiais federais, dois agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), brigadistas do hotel, que é credenciado pela FIFA, além de 54 voluntários, sendo 14 da Cruz Vermelha e outros 40 que figuraram como vítimas.
Fotos: Glauber Queiroz/ Portal da Copa
Cenário
Antes e durante a simulação, o hotel, que conta com 150 funcionários e tem capacidade para 400 hóspedes, manteve o funcionamento normal. O trânsito no local fluía normalmente, mas as equipes já estavam a postos. Por volta das 9h, foi iniciada a operação. O primeiro ato foi a retirada de um banner com publicidade ilegal que estava na carroceria de um caminhão, localizado no estacionamento ao lado do estabelecimento.
Em seguida, começou um suposto incêndio no restaurante do Mercure. Para dar mais veracidade ao evento, foi usada a mesma fumaça comum em casas noturnas e as vítimas foram maquiadas. Os voluntários gritavam desesperadamente por socorro. Uma equipe de brigadistas do próprio hotel identificou o princípio de incêndio e acionou os órgãos públicos de segurança. Gabriela Carvalho trabalha de caixa no local há três anos e foi treinada para atuar em situações de emergência. "Fiz um curso no ano passado e todos aqui passam pelo mesmo treinamento todos os anos, para sabermos lidar com situações como essa e prestarmos os primeiros socorros", relata a brigadista de 27 anos.
A partir daí, as vias foram interditadas e as viaturas, ambulâncias e carros do Corpo de Bombeiros entraram em ação. Uma equipe dos bombeiros entrou na cena do incêndio e retirou as vítimas que poderiam sair caminhando, classificadas na categoria verde. No entanto, a mesma equipe detectou que havia uma ameaça de bomba, ou de contaminação por produto químico no local. Enquanto isso, na porta do restaurante, dois seguranças armados protegiam uma autoridade.
O próximo ato foi a entrada da equipe de produtos perigosos do Corpo de Bombeiros, que examinou o restaurante e não detectou ameaça química. Então, foi a vez do esquadrão antibombas da Polícia Militar fazer a checagem do local e encontrar um artefato, que foi desativado.
Fotos: Glauber Queiroz/ Portal da Copa
Outras equipes do Corpo de Bombeiros voltaram à cena do incêndio e retiraram as vítimas, que passavam por uma triagem e eram classificadas conforme a gravidade de cada caso, em amarelo, ou vermelho. “As equipes entram na área do desastre, retiram as vítimas e as colocam na área de concentração, conforme a classificação de risco delas. Depois, elas passam pelo primeiro suporte, são estabilizadas e transportadas para as unidades de saúde”, explicou Rodrigo Caselli, coordenador do Samu no Distrito Federal.
No estacionamento ao lado do hotel foram montados dois hospitais de campanha, um na cor amarela e outra na cor vermelha, para o primeiro atendimento às vítimas. Uma área cercada e coberta com uma lona verde serviu para o atendimento das pessoas levemente feridas. Elas eram levadas para os hospitais de referência da capital em ambulâncias do Samu, como o Hospital de Base, o Materno-Infantil de Brasília, o Regional da Asa Norte e o Universitário de Brasília. A capital ainda contará com o Hospital das Forças Armadas e com o Hospital Ortopédico e Medicina Especializada para a Copa do Mundo, que servirão para o atendimento de autoridades.
Uma equipe da Polícia Federal chegou ao Mercure e simulou a retirada da autoridade que era protegida por seguranças. Ainda houve um acidente de carro no estacionamento do hotel, com três vítimas presas nas ferragens, um resgate de uma vítima no último andar do edifício, feito por rapel, e a remoção de vítimas por helicóptero. Por fim, para aumentar a tragédia, também houve um saque ao hotel. Apesar de não haver os supostos saqueadores, a presença da cavalaria e do efetivo da Polícia Militar para controlar o tumulto foi como se houvesse a ação.
Na última semana foi realizada uma simulação, voltada para os profissionais da área de saúde, que envolveu 538 pessoas numa suposta briga entre torcidas e no atendimento das ocorrências. O evento foi no Ginásio Nilson Nelson, também em Brasília.
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